Sobre pontes, paz e guerra

Não. Eu não quero a paz. Eu quero continuar a viver em guerra. A minha guerra não é como a sua. Eu luto por quem já morreu. Eu luto por aqueles que tiveram suas vidas e vozes apagadas da história. Por quem partiu sem nome, endereço ou dignidade. Luto por quem morreu de fome nas picadas dessas matas catarinenses. Por quem deixou de respirar perante o medo do canhão que atirou um único tiro na igreja e assassinou tanta gente. Por quem teve seus corpos comidos pelos porcos. Por quem enfrentou um exército treinado, com evidente superioridade numérica e bélica, morrendo para que eu tivesse voz. Não. Eu não quero a paz, não quero mais dormir sabendo que piso em ossos. Não quero mais silêncios. Me basta o grito e a memória.

É pedir demais? É pedir muito para quem luta de menos. Avante! Continuamos em guerra. Continuamos criando pontes.

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