Anoitecer em Matos Costa

Baixava o sol em Matos Costa, anunciando o final de mais um dia. Lua no céu e eles ainda caminhavam. Iam em direção ao ônibus – mais um embarque. Era mais um caminho que se construiria abaixo de seus pés e em suas memórias e em seus corações. Caminhavam como quem anda flutuando em puro sentimento. Eram corações sangrando que seguiam em direção ao sol que se escondia. E que mais tarde continuariam seguindo para suas vidas cotidianas. Sempre em frente. Sem tempo a perder.

Tinham tempo para chorar aqueles mortos que não eram deles? Não tinham. Arranjariam, porém. Porque mesmo não sendo deles, sentiam que os pertenciam. Partilharam emoções demais com aqueles pés de vassourinha para continuarem os mesmos. Reconstruiriam o caminho e a eles. Passo seguido de passo, tijolo seguido por tijolo e jamais estariam prontos. Nem o queriam.

Nasceu o sol. Era domingo. Era segunda. Era semana. Eram 100 anos de luzes e sombras estendidas pelo Contestado.

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