Gotas

As línguas das palavras. A lambida da língua das palavras. Um dicionário de línguas de fogo que ardiam em seus pulsos acorrentados à dor enquanto os dedos furiosos comprimiam o teclado que se lambuzava em letras. Uma após a outra, eram filas de caracteres que teciam uma trama recheada de evidências contidas e por vezes dissimuladas. Era uma mulher fadada a tecer uma trama de conversas não ditas, engolidas pela garganta e gritadas pelos olhos e olhares que esquadrinhavam aquele corpo de uma geografia tão característica e onde nada parecia escapar do lugar. Era uma mulher fadada a tecer cobertor com seus longos cabelos para se proteger do frio que se esquentava com a aproximação do verão. Cabelos que virariam tranças e rabos de cavalo desejando a liberdade garantida pelo acariciar frenético das mãos que se enfiariam em meio aos fios antes de segurar uma porção deles na tentativa de manter aquele rosto mais próximo ao seu. Mais próximo dos olhos, da pele, dos lábios e da saliva das palavras.

Dentro da bolsa, um casaco leve para caso o vento virasse e esfriasse mais ainda aquela pele que era sempre fria, mas que súbito se esquentava ao ver se aproximarem aqueles cabelos que tremiam com o caminhar suave de quem observava a tudo com a alegria de viver a vida estampada nos olhos. Olhos dos quais os dela desviavam para que não descobrisse seus segredos. Não eram olhos machadianos, “de cigana, oblíqua e dissimulada”, mas de feras que travavam batalhas indecifráveis em meio ao azul. Bastara um segundo para perceber que se veria refletida naquela íris colorida e que lá se afogaria. Mas que doçura é submergir enquanto o relógio se demora para fazer passar as horas, pois até seus ponteiros implacáveis desejam observar o esforço feito pela mulher para não deixar seus pulmões se encherem com água em demasia. Bastava o gosto da sua mente atordoada enquanto se deixava flutuar corredeiras abaixo protegida pelo leito daquele rio colorido por tão grande amor.

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Sobre escadas e voos

Cães raivosos latem para a aura imaculada que a cerca. Pouco importa a raiva que lhes escorre em saliva viscosa pela boca, molhando seus pelos e pingando no chão. Qualquer semelhança com o líquido que escorre por seus pequenos e grandes lábios seria mera coincidência? Não tinha, também, seus momentos de cão que late e morde incapaz de resistir à agonia que borbulha no peito? Seguia aproveitando seu momento lispectoriano enquanto tropeçava com seus passos tímidos pelas ruas que serpenteavam pelos morros daquela cidade que parecia se erguer para se aproximar de Deus.

Mas que Deus era aquele que não prolongou o instante tão calmo da carícia que se estendeu para alcançar seu rosto despido de qualquer maquiagem? Teria também olhado e desejado seus lábios coloridos de vermelho para marcar a pele em que encostasse? Um toque que guardava em si um dicionário de palavras que se fossem ditas poderiam não ser aceitas. Ou então seriam e ela estava apenas perdendo tempo pintando a boca e as pálpebras em frente ao espelho. E se fosse verdade? E se Deus, no auge de sua magnificência, também estendesse suas mãos para lhe fazer carinho e acalmasse o cão que latia em seu interior?

Aí sim poderia entrar por aquela porta e vencer o entreaberto em que insistia em continuar. Era cômodo ficar ali, naquele lugar onde não havia vez para deuses ou demônios, luz ou escuridão. No crepúsculo da passagem que atordoava seus pensamentos todas as vezes em que inspirava e podia sentir aquele perfume tão único. Um cheiro que a transportava diretamente para o alto da escada, onde chegava para aliviar o som do salto alto batendo no chão. Do alto de uma escada que parecia ser o máximo de altura que conseguiria chegar com seus pés, pois dali seria possível alçar voo pela janela aberta. Pés fincados no chão e teria o impulso necessário sabendo que sempre haveria uma escada para subir caso caísse de cara no chão e acordasse num sobressalto. (Sempre?)

Deitada em sua cama, companheira de tantas e tantas horas, permitia-se ainda fechar os olhos e recomeçar seu voo, sobrevoando casas, montanhas, rios, araucárias e tantas vidas que se desenrolavam naquela terra manchada. Eram pessoas como ela que se levantavam do chão todas as manhãs, suportando cabeça, corpo e membros sobre seus sapatos de salto que faziam questão de lembrá-la de que poderia cair. Saberiam que desejava a queda para sujar suas roupas e ralar seus joelhos? Para ver brotar e florescer sangue em sua pele? Saberiam que desejava cair naqueles braços doces? Que sonhava com aquele abraço forte amparando sua queda forte o suficiente para que caíssem e rolassem sobre o asfalto incapazes de conter o riso? E sobre o calor da rua sentiria a mandíbula doer por tantos risos e sorrisos. E sentiria o corpo todo arder quando tivesse suas palavras emudecidas pela língua que lhe ultrapassaria os lábios num beijo esperado, sentido e despido de toda e qualquer violência que desejara anteriormente.

Passado o antes, ficaria apenas a sensação de medo superado, morto e enterrado junto com todos os outros demônios que conseguiria empurrar de volta para seu inferno particular – a área VIP do seu ser, reservada aos seus mais ignorados prazeres. Uma orgia louca que partia de seu útero trazido do interior da terra com uma porção de solo do purgatório e que se estendia para suas pernas abertas, sua barriga que já não crescia, seus seios que se firmavam como as torres da igreja apontando para o paraíso e suas mãos que vagavam a esmo por sua pele fria. Fria como a outra pele.

Mãos que eram livres e que seguravam as chaves de sua própria prisão. Todos os demônios presos e ela estava livre em seu vestido branco enfeitado com penas coloridas. Livre em seu cabelo vermelho voando com o vento daquele dia que insistia em se alongar sem chegar ao fim. Livre em suas palavras que voavam para o papel e coloriam linhas e traziam cores e formas e imagens aos corações que se permitiam inspirar. Inspirações que lhe infligiam uma dor extrema, antes desconhecida. Eram medos que a invadiam a medida que dialogava consigo mesma e com sua percepção do mundo e das coisas através da escrita. Doía menos que a pena arranhando o papel, menos que a terra massacrada para receber os trilhos em sua superfície, menos que os rios daquela paisagem, relegados a receber toda sujeira dela e dos outros. Doía menos do que perceber que as palavras lhe faltavam e que já não sorria enquanto os cães latiam anunciando sua presença em frente ao portão.

Olhos no céu, percebeu que anoitecia. Era crepúsculo e a porta estava entreaberta. Passo para dentro e as chaves viraram. Mais uma vez, anoiteceria em paz no Contestado.

Diálogos submarinos

Querida, vamos dar uma pausa? Vamos nos sentar e ver o pôr do sol sem pensar em mais nada? Venha, me dê a sua mão. Vamos erguer mais essa taça e brindar à nossa incurável ignorância sobre tantas outras coisas. Vamos nos deitar na grama e sentir o mundo girar enquanto ouvimos o vento que balança as folhas das árvores. Quero me deitar sobre suas coxas e fechar os olhos para me deixar voar sentindo seu perfume leve. Quero adormecer ouvindo seu riso e o timbre tão suave da sua voz. Quero a maciez das suas mãos tocando as minhas e me conduzindo, sempre à frente.

Mas fico atrás. Continuo atrás desse escudo protetor que é a sua presença, pois não consigo me libertar das correntes que seguem atadas aos meus pulsos. São outras mãos que seguram meus pulsos, impedindo que me liberte. E me arrastam, me afastam, me calam. Se antes achava que a dor maior era voltar a escrever, descubro que é o silêncio que mais me dói. Uma mudez que ecoa na alma e ressoa na miudeza das palavras ditas com toda classe e concordância características do papel da imprensa.

A ausência de falas, de palavras, é uma tortura que não encontra fuga nas entrelinhas as quais me agarro na vã tentativa de manter a cabeça fora do balde de água gelada em que meu corpo foi jogado enquanto as mãos insistem em me puxar para o fundo.

Faz frio na água que me assusta. Escurece enquanto as horas dançam no relógio e me esqueço dos fatos e das mágoas. Já não se agitam as correntes atadas aos meus pulsos e a âncora presa aos meus pés encontrou abrigo no fundo do pequeno oceano em que tento flutuar. Os peixes não me estranham – já viram coisas piores. Acaricio o Kraken que se aproxima e que poderia me libertar ou matar com um único movimento. Mas não o faz. Toda vida marinha e terrestre parece compreender que o desejo do mundo não é a minha liberdade – esse desejo é meu. E por ser tão meu, só pode ser alcançado por mim. De nada vale escrever sobre dançarinas que se elevam sobre as mesas de toalha vermelha enquanto não subir na mesa. Escrever não lhe traria os momentos de volta, ou o sabor daquele beijo guardado nos lábios. Emergir seria ultrapassar linhas e entrelinhas, subir nas mesas, chutar os baldes, chupar os gelos que correm pelo chão e deixar de ver a passagem das horas como evidências do fim. Emergir também seria saltar da mesa para se enroscar naqueles braços de abraço tão quente e ver ir embora o frio enquanto as estrelas piscam para ver melhor a cena que se desenrola na superfície.

Querida, vamos dar uma pausa nesse cotidiano tão amolecido de experiências? Tim Tim. Saúde!

Reticências

Uma sucessão de esperas a construía todos os dias. Esperava o nascer do sol e o despontar da lua a iluminar as noites tão densas que dividiram à luz trêmula da vela, saboreando vinhos de todas as cores. Cores que perseguiam seus passos e invadiam seus sonhos mais alucinados em ondas disformes que envolviam seu corpo e membros impedindo-a de cair em outro abismo. Eram mãos uterinas que a embalavam, conduzindo à cama e ao sono. Saberiam que não queria dormir? Que seu sono era apenas fruto do cansaço, da exaustão emocional que a fazia estender frases e frases até o limite que suportavam os pontos finais? E que lhe a mera ideia do ponto final a apavorava?

Normal seria que aquele amontoado de agoras que se faziam carne em seu corpo amasse as reticências, mesmo que pouco as usasse. Trocava-as por outros caracteres para fingir maior segurança enquanto admirava os três-pontinhos que se enfileiravam em seguidas frases ditas pelos outros. Que coragem tinham em não dizer, não revelar, não escancarar qualquer emoção que já não tivesse sido evidenciada por tantas vezes em repetidos atos, cores e palavras. Ela também era corajosa. Em seu interior viviam leão covarde, homem de lata, espantalho, estrada de tijolos amarelos… viviam as cores de um arco-íris que não ilumina, apenas segura os cabelos do céu como uma tiara celeste. Os mesmos cabelos que caem pelas costas e que anseiam ficar presos entre aquelas mãos quando as bocas se encontrarem para matar sedes tão adiadas de uma água que não cai da chuva; as mesmas bocas que já estão fartas de falar por reticências; as mesmas reticências que se cansaram de pontilhar o pescoço onde descansam cânceres de ostras plásticas; os pontos que invadiam aquela pele fria; pele que se esticava sobre ossos e saboneteiras tão evidentes que pareciam quebrar ao menor descuido. Mas não quebravam e continuavam lá, firmes e duras e brancas e intocadas – por isso, incômodas.

Era um todo íntimo que se abria para revelar o nada que a consumia, tal qual a serpente que se alimenta da própria cauda, ignorando a dor pelo prazer de senti-la. Reconstruía-se com suas não-experiências e com sua espera. Permanecia imóvel na soleira daquela porta entreaberta que lhe permitia admirar a grandiosidade daquele ser tão humano e tão cheio de enigmas. No vão entre a imobilidade e o passo, observava cada ação com atenção de analista. Esquecera-se de que havia refúgio naquele universo tão inseguro que era a vida. Esquecera-se das mãos que se abriam para segurá-la por perto. Lembrou-se das palavras ditas ao ouvido e de suas próprias reticências que igualmente pontilharam linhas de interpretação. Era o suficiente para entrar? Era o suficiente para ficar? Não tinha respostas. Por enquanto, bastava-lhe brindar as certezas das dúvidas.

Saia de renda

Olhava pela janela esperando ver o raiar do dia. A noite se alongava sem lua e mesmo com sono não queria dormir. Tampouco queria viver para amanhecer no dia seguinte. Desde que seus olhares se cruzaram naquela noite de verão, vivia no ontem, anterior, passado. Em tudo aquilo que queria ter sido. Sentira seus olhos correrem por suas pernas. Sua saia de renda, as coxas levemente abertas e estavam presos. E esse fora seu erro. Não percebera que ao estimular sua imaginação com o conteúdo guardado entre suas pernas, fora o outro que atou seus pulsos. E reforçou o nó sem usar palavra alguma, com aquele silêncio de palavras engolidas. O que não queria lhe dizer? Que a desejava?

Nunca saberia interpretar aquele silêncio, pois tão mais enigmáticas eram suas palavras. E suas atitudes. A mão que tremeu ao tocá-la. Os lábios que se aproximaram. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Os olhos que a mapearam. O gesto que ficou incompleto para sempre. Sem dúvidas era uma mão habilidosa que saberia guiá-la voluntariamente até a guilhotina. Quantas vezes iria fazê-la sangrar antes de cortar seu pescoço?

Num furacão de perguntas sem respostas, já perdera a terra sob seus pés. Faltava sujeira em seus sapatos. Faltava uma mão percorrendo seu corpo. E se não fossem aquelas mãos, de quem seriam? Que dedos se enfiaram por seus orifícios desde aquele olhar? Os dela? Talvez fosse a hora de virar a mesa. Talvez fosse a hora de voltar ao básico, de voltar para quem tinha sido. Mas como ignorar um capítulo de sua vida e não olhar para trás depois daquele toque trêmulo e inseguro? Melhor seria reinventar-se mais uma vez. Criar uma nova mulher alimentando-se da própria pele, do próprio sangue. Quem sabe, nadando em seu sangue morno poderia perder o medo do líquido, do que escorre para além de seus lábios.

A boca se abriu num sorriso ainda maior. Não precisava de mais um paliativo. Desde que deixara-se invadir, curava seus vícios com machucados. Dolorida, conseguia continuar a andar. Com as costas roxas de tanto ser empurrada contra o volante do carro, os tentáculos das ruas poderiam apertá-la o quanto quisessem. Não doeria. A dor que lhe esperava era muito maior e bateria diretamente em seu orgulho. E o controle da situação lhe escaparia por entre os dedos. Incontrolável, afundaria em sua própria sujeira. Já podia ver seu rosto refletido no brilho dos dentes da dúvida – era vermelho. Afundaria em si mesma para poder se afogar serenamente. Não havia outro caminho para ela. A perspectiva de nenhum crime feito a apavorava. Em sua busca permanente por refúgios, talvez as ruas pudessem tragá-la para dentro da sarjeta com sua cinta-liga rasgada e os cigarros sujos de batom.

Adeus saia de renda.

Na curva do rio

As palavras a invadiam enquanto o tráfego seguia contínuo em um rio de aço torcido e faróis brilhantes. Carros que passavam sem ver o café preto que agitava para dissolver o açúcar ou seu rosto que súbito se fez confuso ao perceber que já não chovia. Já não chovia há dias. Quantos? Não sabia precisar. Talvez o mesmo número de dias que não penteava o cabelo. Quantos? Também ignorava o porquê daquele dia escurecer antes da hora, cedo demais. Cedo como o galo que cantou para despertá-la por dias seguidos para que deixasse o mundo dos sonhos e voltasse à realidade que lhe escapava pelos dedos da mão sem sujá-los. Suas roupas, tal como sua pele, continuavam limpas de realidade e do mundo acético que cheira a desinfetante e perfume barato e salva o mundo de si mesmo todos os dias.

Ela também estava salva em seu pedestal pequeno demais, equilibrando-se na tentativa de calar seu coração que insistia em derrubá-la. O mesmo coração que ainda doía, embora em menor proporção. Um coração que conheceu a calma de uma paixão sem exigências, em que bastava um vislumbre para que se acalmasse. Um olhar para arrepiá-la. Um toque para despi-la. Um beijo para derrubá-la de joelhos, prostrada em pura admiração. Saberia do poder que tinha? Por acaso conhecia a sensação de estar nua por baixo das roupas, desejando nada mais do que mãos descobrindo sua pele antes de se enroscar em seus cabelos expondo sua garganta para o fio da faca que lhe marcaria a vida com um ponto final?

Soubesse e seria a prova de um sadismo maior que o dela, que ansiava pelas unhas marcando suas costas como prova irrefutável de seu pertencimento. Pertencia a quem? A ela e aos outros. Ao mundo. Toda ela e toda sua geografia ultrapassavam-se na busca pelo sangue que brotaria da pele e de suas veias abertas e entregues ao mundo. Sangue que se espalharia pela terra como o rio corrente do qual emergira para se descobrir mulher e sereia e fada e bruxa e fantasia. Um rio de sangue que invadiu a terra e escorreu por suas pernas deixando as marcas que ninguém veria. Coágulo de rio que se aglutinou em seu útero dando origem à vida.

Mágica

Era um momento doce e quase encantado quando aqueles olhos se cruzaram e se sorriram extasiados pela graça de poder se ver refletir. Um no outro e outro no um de repente eram um só condenado a viver no limiar da dor por continuarem separados, sem poderem, juntos, continuar a sorrir ou chorar as mesmas lágrimas salgadas pelo cansaço. Eram olhares que desejavam o brilho do sol que amanhecia no leste para perfurar a neblina e o frio daquela manhã que insistia em clarear devagar, revelando um dia que não terminaria com o anoitecer. Dia que se estendeu para uma noite de pleno inverno, iluminada pela luz do fogo que ardia no chão. Dia que se seguiu para tantas outras 24 horas nesse relógio que não se cansa de virar. São ponteiros alinhados em busca do melhor lugar para observar aquele olhar aflito que busca reconhecer um rosto em meio a multidão que se avoluma ao seu redor. E que encontra outro olhar apenas para logo se perder e que se perde na distância do amor, na angústia das coisas pequenas. E que quando finalmente encontra seu par, vê-se refletido e sente medo de que as lágrimas voltem a atrapalhar a visão daquele rosto tão lindo, emoldurado e correto como as palavras que saem da boca que se abre em partilha de experiências e planos. Quem sabe se as lágrimas voltarem, finalmente terminem. Era no que fingia acreditar sem saber que sabia que aquilo era impossível. Tão impossível quanto continuar escrevendo sem ver aquele rosto flutuar em sua imaginação antes de pousar em seus braços. Impossível como esquecer o perfume, o calor do abraço ou a dimensão daquele ser tão humano e tão belo e tão encantador. Era um instante quase mágico em que sua mente se enchia de sonhos enquanto a cabeça pousa sobre o travesseiro. Quase sentia nos lábios o ardor daquele beijo que nunca veio. Quase sentia todas as emoções possíveis. Inspirada, quase escrevia. E talvez aquilo fosse o melhor que pudesse fazer.