Sobre as noites que começam sem por do sol

Era noite

E era dia

Era sorte

E a pele era fria

Eram trêmulos dedos

Sob a lua que brilha

Era quente o sangue

Que na pele escorria

Era a prece que se erguia

Para as nuvens daquele céu

Quando ainda era dia

Eram doces os lábios

Que se abriam em sorriso

Quando ainda era dia

Suculentos os frutos

Que amadureciam no tempo

Quando ainda era dia

Era cheirosa a panela

Que fervia

Quando ainda era dia

Era dolorosa a fome

Que ardia

Quando a noite era dia

Era triste a melodia

Da viola em cantoria

Quando a noite era dia

Era solitária a lágrima

Que caia

Quando a noite era dia

Era doloroso o furo

Da bala que se ouvia

Quando já não era mais dia

Ensurdecedora a bomba

Que a tudo destruía

Quando já não era mais dia

Era quente o fogo

Que queimava e ardia

Quando já não era mais dia

Era a fria a noite

Solitária companhia

Foi-se a fé, o irmão e o sangue

Era noite

E não era dia.

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