Ecos do Contestado

No caminho, ficou um rastro de sangue.

Não era meu sangue coagulado saindo pelo útero aberto

E nem o sangue do hímen rompido

Era sangue de morte,

De gente morrida,

De gente matada.

Era gente sofrida e espoliada.

Era quem não era gente – não mais.

Serviu antes e agora incomoda.

Pega em arma,

Prepara pra luta

E luta

E mata

E morre

E quem não morre vive.

Mas nem vivo existe.

Mas vivo ou morto resiste.

Vivo e morto assiste

Olhos em lágrimas

O sangue caído

O rosto doído

De quem vê no caminho

As marcas no chão

Não são passos

Não são rastros

São marcas do progresso

Do silêncio

Do eco

Respiração

O peito infla no Contestado

O pulmão agradece o ar puro

A barriga agradece a fartura

Os pés se cansam de andar

Caminho, poeira e rastro

Passo e sangue

Sangro e passo.

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